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quarta-feira, 17 de março de 2010

Internacionalização da Amazônia -= Cristovão Buarque


"Fui questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia, durante um debate recente, nos Estados Unidos. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha. De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia.

Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia é para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da humanidade.

Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.

Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, possa ser manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

Durante o encontro em que recebi a pergunta, as Nações Unidas reuniam o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu disse que Nova York, como sede das Nações Unidas, deveria ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver.

Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa"

Um comentário:

Ana Cecilia disse...

Estou comunicando um evento de nível internacional que ocorrerá em Belém e convidando a participar de um evento no dia 24 de abril, mais informações no texto abaixo:
De 17 a 25 de julho, acontecerá em Belém do Pará o VII Congresso Mundial de Teatro, Drama e Arte-Educação, o IDEA 2010, que reunirá mais de trinta mil pessoas em torno de uma causa comum: Viva a Diversidade Viva! Abraçando as Artes de Transformação! Durante esse evento acontecerão debates, exposições de pesquisas e relato de práticas arte-educativas, palestras, oficinas, trocas de experiências, vivências artísticas, apresentações de artes cênicas, uma gama de atividades que visam uma forma justa de ver e construir o mundo e as relações entre os seres, estendendo-se a educadores, estudantes, pesquisadores, movimento social e comunidades em geral. Os locais das atividades serão a Universidade Federal do Pará, diversas escolas públicas, espaços comunitários e teatros; no centro, mas, privilegiando a Periferia e as Ilhas de Belém. Convocamos a todas as comunidades, indivíduos e grupos organizados que se preocupam com a valorização da diversidade cultural, que querem dividir e aprender a difundir uma forma social de educação baseada na beleza, a fazerem parte do IDEA. Basta inscrever-se no site www.idea2010.art.br. Informações pelos fones: 88216161 e 91451907. Falar com Ricardo ou Nailce. E-mail: jovemidea2010@hotmail.com
Os jovens possuem em si modos de ser, pensar e agir bem próprios e bem intensos, que não podem deixar de ser ouvidos e estimulados, de forma a se tornarem cada vez mais atores principais dos destinos da humanidade. Crimes de todo tipo acontecem contra a consciência e a atitude juvenil em todo o mundo, sobre o que não se pode calar muito menos apenas fantasiar um mundo melhor; é necessário construirmos juntos de modo poético e politizado uma nova forma de lidar com o ser jovem, sem prisões da consciência, libertando-o da robotização da mídia e de todas as formas de educação e cultura que divertem, mas oprimem, acostumam, mas cegam ao mesmo tempo. Para transformarmos essa realidade, convidamos você para participar do Abraço Escola Bosque: Rumo ao JOVEM IDEA, que acontecerá no Auditório da Escola Bosque, em Outeiro, no dia 24 de abril, das 8 às 16 horas, reunindo jovens artistas e possíveis colaboradores. Na ocasião haverá apresentações e diálogos de Grupos jovens de teatro e dança, além de esclarecimento e propostas relativas ao IDEA 2010, Congresso Mundial de Artes Cênicas e Educação que será realizado de 17 a 25 de julho de 2010, em Belém do Pará. Venha, participe, traga sugestões, dúvidas e seu talento. 24 de abril, sábado, no auditório da Escola Bosque, a partir das 8 da manhã. Inscrições e contatos pelo e-mail: jovemidea2010@hotmail.com e fones:88216161 e 91451907.
Ana Cecília
Coordenadora da SI da Escola do Outeiro
Coordenadora de Comunicação do JovemIdea 2010.